
Episódio 15 - Where I click to ask for a normal family?
Monday - 6:00 am - Iowa - USA
(Valerie narrando)
Acordei de excelente humor, não que fizesse diferença afinal eu era sempre simpática e legal. Mas toda essa animação foi por água abaixo assim que me lembrei a programação do dia. Porra. Quem foi o maldito que inventou o colegial? Levantei e fui cambaleando feito bêbada até o banheiro. Ao me olhar no espelho dei um sorrisinho, mais do que satisfeita pela minha aparência impecável pra quem tinha acabado de acordar eu estava linda. Apenas passei a escova nos cabelos, uma maquiagem leve e coloquei minha calça jeans favorita com uma blusa preta não muito decotada, por causa da escola, e um salto básico. Não precisava estar mais bonita do que o normal, afinal era a escola, não um encontro, mas precisava de um grande pacote de salgadinhos e um suco, para suportar meu dia. Fui a passos largos até a cozinha para vasculhar os armários atrás de minhas guloseimas. Antes mesmo de entrar na cozinha escutei uma voz grave e conhecida. Espiei pelo canto da porta e o vi, aqueles seus cabelos grisalhos, seu sorriso idiota de sempre, de terno amassado e sapatos lustrosos: o cafajeste do ex-namorado da minha mãe.
Minha primeira reação seria correr e pular em seu pescoço, se minhas pernas não estivessem tão moles e paralisadas pelo choque de ver aquele filho de uma puta. Minha mãe estava com ele rindo e fumando, como se os últimos tempos não tivessem existido. Era isso mesmo? Não aguentei, a raiva subiu pela minha cabeça me fazendo pirar. Entrei na cozinha pisando pesadamente e com cara emburrada, me sentei na bancada e os encarei. Assim que me notou, minha mãe ficou um pouco sem graça, quando viu minha expressão.
— Minha filha, o que foi? — Ela perguntou um pouco sem graça como se tudo aquilo fosse normal.
— O que foi? - Praticamente gritei — O que foi? — Repeti, cada vez com mais raiva e derrubei o leite que estava na bancada. — Você já esqueceu o que esse idiota fez com a gente? Eu vou ligar é para policia. — Lágrimas preencheram meus olhos, lágrimas de raiva, apenas de raiva.
— Valerie calm.. — Ela já estava vindo em minha direção, mas o Ted fez ela ficar onde ela estava.
— Deixa comigo. — Ele falou olhando para minha mãe com uma grande calma, e depois veio se aproximando. — Valerie, porque esse estresse todo? Eu e sua mãe já conversamos e nos acertamos. — Ele falou.

— Virou palhaço agora Ted? Porque você tá me fazendo rir. — Disse debochando da cara dele e forçando uma risada.
— Você também continua engraçada Valerie, mas pode deixar que as coisas vão mudar. Vou cuidar da sua mãe e de você com muito carinho. — Ele falou com uma cara cínica. Na mesma hora veio muitas cenas de medo na minha cabeça. Isso me causou tanta raiva que não pensei duas vezes, peguei um garfo que estava próximo e enfiei em sua mão que estava na bancada. — Ele deu um grito e antes dele vir pra cima de mim, sai correndo. Eu não ficaria mais de baixo do mesmo teto que aquele homem.
Antes de sair da cozinha olhei para ela com cara de nojo. Minha mãe apenas observava tudo e não falava nada. Entrei em meu carro e pisei no acelerador, sem me dar ao trabalho de colocar o cinto de segurança. Iria até a casa do Jhonny, só ele poderia me fazer rir e o único que me salva nas minhas horas de raiva, afinal é para isso que servem os amigos, não é? Parei o carro na frente da casa dele e fui correndo até a porta da frente, toquei a campainha com pressa, precisava vê-lo, ver que alguém ainda se importava comigo, ao contrário de minha mãe. Mas, para minha surpresa, aliás, uma surpresa muito infeliz, quem atendeu a porta foi a Louise, ao vê-la quis pular em seu pescoço e gritar que o Jhonny era meu melhor amigo, apenas meu, mas não o fiz.
— Oh, você por aqui? Cadê o Jhonny? — Perguntei com um sorriso claramente falso no rosto.
— Olá Val. — Sorriu de volta. — Ele está lá em cima, no quarto, se arrumando para irmos à escola. — Ela disse com aquela voz tão doce que me enjoava, é claro que iriam a escola, a Senhorita Perfeitinha nunca poderia faltar uma aula se quer.
Logo a mãe do Jonny apareceu e falou para eu entrar, perguntou se eu queria comer alguma coisa, mas só agradeci e perguntei se eu podia usar o banheiro. Eu parecia sem rumo. Mas não podia deixar que ninguém perceber o meu estado. Quando entrei no banheiro fechei a porta e comecei a chorar.

Em meio dos soluços de choro respirei fundo e levantei-me rapidamente, olhei no espelho e tentei disfarçar a cara de choro. Sai do banheiro, passei pela Louse no caminho, e fui até a porta para ir para escola.
— Não vai nos esperar? – Só se você estivesse indo para um precipício, pular dele. Porque essa é uma cena que eu adoraria assistir, pensei.
— A gente se ver na escola. — Falei finalizando a conversa.
Entrei no carro e fui em direção a escola, estacionei na primeira vaga que vi e encostei a cabeça no banco, olhando para o ‘teto’ do carro. Porque a minha vida tinha que ser esse rascunho abandonado? Porque não me foi dado o direito de ser uma pessoa com uma família normal? Ei, Deus? Qual é o seu problema comigo? Suspirei pensando e fiquei por ali, ate da a hora de ir pra sala..
(Rebecca narrando)

Monday - 7:10 am - Iowa - USA
Desde que presenciara o Brandon sendo jogado desacordado dentro do carro, a mando de Luke, é claro, não sabia do paradeiro dele, e pra piorar o Luke tinha sumido do mapa. Tentei ligar pro Brandon, mas nada. Cheguei à escola na expectativa de encontrá-lo, nem sinal de vida. A culpa e a ansiedade me dominavam. Será que ele estava bem? Pelo menos vivo? No mínimo muito machucado. De longe avistei Lucas conversando com a Valentina. Fui em direção aos dois, a fim de esclarecer algumas coisas.
— Seu idiota cadê o Brandon? — Cheguei já empurrando o Lucas, eu estava com muita raiva.
— Do que você está falando irmazinha? Não sei desse idiota não. — Falou desconversando e com um sorriso irônico.
— Como não? — Falei enchendo ele de tapas. Enquanto ele se esquivava e me mandava parar.
— Fica na sua e para de me bater. — Disse com raiva e se aproximando. — Mandei da só uma surra nesse corno, mas se ele sumiu não tenho nada a ver com isso. — Falou com um sorrisinho de lado.
Olhei a minha volta, as pessoas já paravam para prestar atenção. Todos sabiam que se tem Lucas tem platéia, era sinônimo de show. Pensei seriamente em não dizer nada, mas a preocupação, o medo, o carinho, tudo isso junto ou o que quer que eu sinta por Brandon falou por mim.
— O que você fez com ele? — Tentei soar calma mas acho que minha cara de choro e desespero me entregava.
— Ele quem maninha? — Perguntou dando um sorrisinho cínico. Dei um tapa na cara de Lucas e sai de perto dele. Mas a raiva era tanta que transbordava pelos meus olhos em forma de lagrimas, então voltei aonde ele estava.
— Estou cansada da sua infantilidade, irresponsabilidade e covardia! — Disse encarando-o enquanto ele me olhava fixamente.
— Eu sou o infantil? — Perguntou em um tom falsamente magoado. — Que eu saiba era você quem estava tentando repetir cenas de filmes românticos onde os mocinhos se pegamdentro de um guarda roupa — Acrescentou soltando uma risada irônica, seguido de Valentina e seu publico de imbecis, enquanto eu corava, violentamente, de vergonha ou raiva não sei.
Me bateu uma vontade absurda de voar em cima dele, mas senti uma mão me puxando. Virei-me e dei de cara com Louise me resgatando daquela situação deprimente.
— Vamos Becca. Deixe ele para lá — Dizia me puxando. Eu lancei um ultimo olhar ao Luke e a segui. — Vamos para sala. Depois vocês se resolvem em casa. — Falou cochichando em meu ouvido, tão calma e suavemente como só Louise podia ser.

Caminhei pelo corredor ainda sob o olhar das tietes e dos capachos do meu irmão. A sala parecia estar no fim de um longo túnel. Quando enfim chegamos lá Louise se virou para mim, serena, a fim de me dar seu apoio. Ela se aproximou um pouco e colocou a mão em meu ombro.
— Se quiser conversar… — Ela tentava me passar segurança e realmente conseguiu, mas eu apenas dei um sorriso.
— Não Lou. Está tudo bem. — respondi.
— Sério? — Falou enquanto Jhonny se aproximava.
— Olá meninas! — Disse Jhonny e logo atrás Val também se aproximava, interrompendo Louise.
Antes que tivéssemos tempo de responder, continuaram.
— Ontem fui ao shopping, e adivinhem para ver o que? — Disse olhando para nós três. — Sapatos. Sapatos lindos! A coleção nova daquela loja chique chegou ontem e, Becca, vi um lá que é a sua car… — Acho que ele percebeu minha falta de animação. — O que aconteceu para vocês ficarem com essas carinhas, meninas?
— Não foi nada, Jhonny. Apenas uma discussão com Luke. O que não é nenhuma novidade. Está tudo bem. — Eu disse, rapidamente, tentando convencê-lo.
Quantas vezes mais eu teria que dizer a frase “está tudo bem” Sem realmente estar? A minha sorte é que Louise, discreta como sempre, foi logo dando uma ideia a fim de acabar com o clima ruim e ao mesmo tempo me ajudando, para que eu não fosse forçada a falar sobre o que eu não queria.
— Pessoal, acabei de ter uma ótima idéia! Por que não fazemos uma festinha do pijama lá em casa? — Lou fez a proposta animada.
— Festa do pijama? - Jhonny perguntou animado.
— Eu não sei bem… – exitou Val. — Ela não estava com uma cara muito boa também. — Mas eu topo. — Falou apoiando a proposta.
— Uma noite das meninas! Ah… vamos.. vai ser divertido! — Louise viu minha cara desanimada e tentou me convencer.
— Parece uma ótima idéia. — disse Val.
— Eu adorei! — Jhonny concordou.
— Tudo bem então… — Resolvi ceder. Eu preciso me distrair um pouco mesmo.
Louise só estava tentando desviar um pouco a tensão do momento, ela só queria ajudar. E também, poderia ser uma boa distração e era disso que eu estava precisando. Seria divertido. Não. Não seria, mas era o que eu precisava fazer. Era o que esperavam que eu fizesse. Mas da mesma forma ainda não consigo para de pensar no Brandon. Será que Brandon está bem? Será que ligo pra ele mais tarde? Será que ele vai querer falar comigo? Acho que não. Talvez em mil anos. Preciso me desculpar com ele por…

— Mas o que você acha Becca? — Louise falou interrompendo meus pensamentos.
— Concordo. — disse sem fazer idéia do que eles falavam. Tentei me concentrar na conversa. Mas era em vão. Precisava falar com Brandon. Vou tentar ligar novamente mais tarde, se ele não atender vou até a sua casa e não sairia de lá até conversamos. Eu tinha coragem suficiente pra isso, certo? Está decidido.
Continua..

Episódio 14 - Must Be A Dream | Monday - 5:30 am - Iowa
(Matt narrando)
Nheeeeeeec — barulho rangendo fez a porta de casa quando abri.
Teria que tomar mais cuidado da próxima vez, com tantos obstáculos no caminho, a minha cama se torna mais longe. Não poderia dar um vacilo desses, apesar de ser cedo para a maioria dos adolescentes, pra minha família está mais do que na hora de dormir. Não só para eles como para o meu corpo, aliás. Mas valeu a pena ter saído dessa rotina de trabalho, estudo e deveres. Conversar com Brandon me fez esquecer um pouco da falta de amigos que convivo no meu dia a dia. Apesar de ter agora o Josh ao meu lado, é bom conhecer novas pessoas. Sem ao menos perceber já estava na porta do meu quarto, agora é só dar o pulo da vitória.
— VUMPPP - Tá, esse foi eu caindo.
Tropecei com algo que tinha no chão, na escuridão da casa nem ao menos suspeitei desse tal perigo. Minha ação foi correr pra minha cama e tirar a camiseta que estava usando, mas em fração de segundos minha mãe na porta a espreita para ver se estava acordado. Fechei os olhos e torci para que ela não percebesse nada, ficou observando uns 5 segundos e fechou a porta de volta.
— Salvo! — Gritei mentalmente, não podia fazer barulho. Estava na minha sagrada cama, onde o reinado visa vangloriar a preguiça. Eu, como apenas servo daquele local, respeitei-o. Dormi naquele estado, sem ao menos tirar a calça jeans e rodeado de pensamentos. Como o acidente, Josh e o seu namoro, a briga que o Brandon se meteu, a Valentina… Valentina? Porque pensar nela? A garota que só tem a aparência para salvar, mas convenhamos… Que beleza! O que ela tem de podre na alma, tem de belo na casca. Porque será que uma garota tão bela teria uma personalidade tão rude?
Fiquei pensando nisso até meus olhos se começarem a se fechar facilidade e sem ao menos perceber caí no sono.
6:10am
TRIMMMMMMMMMMMMM — som do celular tocando. Mas o que podia ser? O sol nem apareceu e já esta a tocando o despertador? Impossível!
Apenas com o braço estendido tentei caçar o celular que estava na mesinha ao lado da cama. Após várias tentativas frustradas, eis que alcanço algo que aparentava ser o meu celular. Meus olhos abriram lentamente com o medo de ser a hora de ir para a escola.
‘Ei Matt, vamos tomar café juntos? Pode ser na lanchonete perto da escola? Aí te contou como foi o meu final de semana. Desculpa por ter te acordado, se acordei… haha Até lá. P.S. Te encontro as 6:30 na lanchonete perto da escola. Josh.’
— Ah, menos mal. É só o Josh.. Mas calma, 6:30? Maldito celular que recebe as sms atrasadas. Vou ter que correr pra encontrar com ele na lanchonete, e depois ir pra aula. — Pensei alto.
Corri que nem um abestado para o banheiro, batendo em todos os móveis do quarto e tentando entender ainda o que estava acontecendo. Tirei a roupa na velocidade que o meu corpo pudesse atingir e entrei para o chuveiro. Cenas estranhas de meu sonho pairavam na minha mente, e em todas as cenas que me lembrava, a Valentina estava nelas.

— Mas por que ela? Deve ser por ter dormindo pensando nela, algo nada agradável. - Pensei comigo.
Forcei-me a lembrar do que aconteceu neste sonho..
DREAM ON

Estava em algum tipo refeitório, esperando alguém que não me lembro quem era. De repente sinto um cutucão em minhas costas e viro-me para descobrir do que se trata. Quando olhei, era Valentina, que sentou e começou a conversa comigo, algo anormal, pois ela nunca falou comigo. Do nada ela se levanta e senta do meu lado. A única lembrança de dialogo que tive com ela, foi no primeiro dia de aula que me mandou um bilhete, não muito agradável. A gente conversava pouco, até que ela se levantava e saia, até que ela voltou falando que tinha esquecido algo.
Eu, espantado com a situação, não tive reação. Mas em questão de segundos minha mão estava em sua cabeça, acariciando-a da melhor forma que um BV poderia fazer. Como eu não conhecia cada movimento realizado em um beijo, foi ela quem me guiou. Meus dedos suavam frio e o nervosismos de estar fazendo errado domava a minha mente. Estalos de selinhos iniciaram-se lentamente, e aos poucos pude sentir tua língua acariciando a minha, aqueles lábios com o aspecto de sabor de mel foram capazes de me tirar dessa realidade. Aos poucos senti meu coração bater mais forte, e ao presenciar tamanha vontade de quero mais, só desejei que aquele momento nunca fosse encerrado. Senti teus sensível dentes mordendo meu lábio inferior, e para me provocar cócegas, arrastou sua língua sobre o céu de minha boca, sorri maliciosamente entre o beijo e pude degustar do mesmo. Meu corpo se esquentava conforme e o tempo e algumas vezes tinha que abrir os olhos para ver se isso era real, se era mesmo a Valentina e para a minha sorte era sempre ela.
DREAM OFF
— TRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIM — Meu celular atrapalhando os meus pensamentos.
Deixei-me levar por esse tal sonho e acabei me esquecendo do compromisso. Essa noite me deixou confabulando sobre os meus sentimentos com a Valentina.
—Era possível dormir odiando e acordar desejando ela? Mas como poderia, se ela só me menosprezava? A garota pelo qual sonhei, era totalmente o oposto da real personalidade de Valentina. Nunca que uma garota como ela daria moral para um estranho como eu. - Pensei comigo.

Cortei os meus pensamentos quando ouço mais um toque de mensagem do Josh, acho que estava atrasado.
‘Já estou indo para a lanchonete. Já acordou? Espero que não atrase.’
Coloquei a primeira roupa que vi pela frente e saí disparado ao meu carro, sem ao menos me despedir dos meus pais que já estavam na cozinha. Tomara que o Josh ainda não tenha chegado…
(Valentina narrando)

— AAAH que merda! - Exclamei indo para escola.
Realmente odeio segundas, ter que acorda 6 da manhã, suportar os professores chatos, suportar matérias que nem sei pra que servem pra minha vida, em vez de estar em casa dormindo. Sendo que ficar em casa também não é uma opção muito boa, e principalmente com a minha mãe lá que consegue estragar meu dia mais do que os próprios professores. No caminho parei em uma lanchonete, não tinha comido nada, a geladeira tava mais vazia do que a minha barriga esta agora. Minha mãe ás vezes esquece que eu existo, na verdade ela faz questão de me esquecer.
Quando estava chegando perto da padaria, vejo o Luke. Com aquela camiseta amassada, e uma calça jeans manchada, com um tênis velho, o estilo dele, e aparentemente de ressaca, a noite foi boa pra ele, como sempre.
— Essa padaria ta começando a ficar mal frequentada. — Falei irônica ao me sentar-se à mesa que o Luke estava. Ele se levantou e veio em minha direção e me deu um beijo no canto da boca.
— Começou a ficar na hora que você entrou aqui. Bom Dia pra você também Valentina. – Ele falou me encarando e com um sorriso irônico.
— Meu dia estava bom até encontrar você. – Disse devolvendo um sorriso irônico e me sentando na cadeira ao lado dele.
— Então estamos empatados. — Falou sorrindo.
Virei para pedir um lanche, já estava perto da escola, então não tive pressa para comer voltei-me de volta ao Luke, ele estava com a boca cheia salgados e ainda achava espaço para beber o refrigerante, educação com certeza não faz parte dele.
— Educação mandou lembranças, viu Luke. — Falei ao ver ele com a boca cheia de salgados.
— Há, Há, Há. Você tá toda engraçadinha hoje né? — Ele falou com a boca cheia.
— Veio comprar um lanche pra tirar a ressaca da noite passada? — Perguntou enquanto tentava engolir o que estava comendo.
— Não, resolvi passar aqui pra comprar um iate — Falei com um sorriso irônico.
— Se eu não te conhecesse bem eu diria que você estar de TPM. — Ele falou rindo depois de ter conseguido engolir metade dos salgados que havia colocado na boca.
— Nessa sua cara toda machucada só falta um tapa meu. — Levantei uma das sobrancelhas, encarando.
— Uuuh, a menina acordou revoltada. — Disse rindo.
Ficamos em silêncio por um instante. Quando meu lanche chegou comecei a comer e fui me acalmando também, acordar cedo e com fome ainda, era mau humor na certa. Olhei pro Lucas e mordi o lábio a fim de provocar ele. Ele olhou e começou a ri.
— Você consegue me deixar excitado logo de manhã heim. — Ele falou com um sorriso malicioso.
— Se excita fácil assim? – Falei com um jeito sedutor.
— Até falando você me excita Valentina, imagino várias outras utilidades pra essa sua boca… — Ele falou sorrindo.
— Então abaixa o fogo, que sou muito pro seu caminhãozinho. — Falei empurrando o rosto dele para o outro lado.
— Olha o viadinho do Matt, acho que é esse o nome dele. — Luck falou enquanto acenava com a cabeça em direção ao Matt.
Olhei sobre os ombros, ele estava entrando na lanchonete, e se sentou em uma mesa com vista da janela, aparentemente ele estava esperando alguém, ele não é muito de amigos, ele é meio sem jeito, nem fala com meninas, nem namora, pelo menos que ninguém da noticias de namoradas dele. O Luke nunca gostou do Matt, estudam na mesma sala, mas ele acha um mané por não ser um idiota que o idolatra e ainda é amigo do Brandon. Nunca falei com o Matt, exceto aquele bilhete que mandei no primeiro dia de aula..
FLASHBACK ON
Primeiro dia de aula, e ele entrou na sala quase tropeçando, parecia estar com medo. Ele havia mudado do colégio no último ano do ensino médio, escolheu um péssimo ano para mudar. Sentou-se atrás do Josh, quase não olhava para as pessoas. Até quando o professor o chamou para se apresentar.
— Ahn… Meu nome é Matthew Sparks e tenho 17 anos, vim do colé… — Alguém o interrompeu surgindo na porta, fazendo barulho, era o Brandon chegou atrasado e pedindo desculpas ao professor, o Luck como sempre começou a implicar com o Brandon.
Fiquei olhando para o Matt enquanto aquela situação se desenrolava. Parecia que aquilo tinha o deixado feliz, por terem interrompido aquele momento. Parecia ter vergonha de apresentações. Por um momento ele me olhou também. Prendemos nossos olhares naquele instante. Dei um sorrisinho para ele, mas ele não reagiu. Desviei o olhar para ver o que o professor iria fazer, ele expulsou o Luck por implicar com o Brandon. Isso não era de impressionar, ele sempre era expulso.

O professor tentou voltar à aula de novo. Depois daquela encarada do japa, eu realmente precisava fazer uma zuação com ele. Peguei uma caneta e uma folha e escrevi “O que será que é menor, o teu pau ou a tua moral futura nesse colégio, japa?” , e pedi para alguém entregar a ele. Fiquei olhando para ver se ele ia ler o bilhete, e quando alguém falou que tinha sido meu, pareceu reagir de uma forma como se tivesse impressionado, falando “uau”, se virou rápido para eu não notar que tinha ficado feliz pelo bilhete. Mas com certeza estraguei isso quando ele leu. Fiquei rindo de longe.
FLASHBACK OFF

Ele tem jeito de viado , leva jeito pra coisa. — Ouvi Luck resmungando interrompendo minha lembrança. — Isso tudo é inveja Lucas? — Falei ao me ajeitar na cadeira e ficar de frente para ele.
— Isso, me faça rir – falou soltando uma gargalhada.
— Acho que sim, o Matt até que é bem bonito, talvez ficaria com ele. — Falei provocando.
— Você está de zoeira com a minha cara né? Só se fosse louca ou tivesse drogada. Para de viajar Valentina — Ele falou com o tom de deboche.
— É, pensando bem você está certo, não beijaria não. — Falei ainda com um sorrisinho.
— Mas agora vai ter que baijar. — Falou rindo e se aproximando de mim.
— Sai daqui Lucas. — Falei, lembrando que do bilhete que mandei, com certeza ele não iria ficar comigo depois daquilo. Ou talvez até ficasse, porque ele não conseguiu esconder naquele dia que gostou de mim.
— Fiquei sabendo que ele é boca virgem. — Disse olhando em direção ao Matt. — Duvido que você vai lá e beija ele. — Ele falou olhando firme pra mim
— Hum.. — Levantei umas das sobrancelhas pensando que aquela aposta seria uma boa. — Gosto de apostas.. Mas o que eu ganharia com isso? — Encarei ele.
— Isso seria só uma diversão. — Desconversou.
— Ah, tá. Vou beijar o cdf por nada? — Falei rindo da cara dele. — Vou ali comer alguma coisa. — Quando comecei a me levantar ele me puxou de volta.
— Ok! Vai lá e beija e amanhã eu faço uma festa pra você lá em casa. — Ele sabe que eu adoro festa. — Tá, fechado. — Disse já levantando da mesa.
Matt ainda estava sozinho, então era perfeito para beija-lo logo. Lucas ficou de longe olhando se realmente iria fazer isso. O Matt parecia ser uma cara envergonhado, tímido, então seria difícil chegar e beija-lo de uma vez, iria assustar, então vou chegar aos pouquinhos, e depois eu beijo. Pensei indo em direção a mesa que o Matt estava.
— Oi — Falei dando um cutucão nas costas dele.
— Oi — Ele falou, parecia espantado.
— Posso me sentar? — Falei já me sentando. Ele pareceu não entender porque eu estava falando com ele. — Então.. o que faz aqui? — Falei com um sorrisinho.
— To esperando um amigo. — Olhou para trás procurando alguém.
— Um amigo? — Disse com um sorriso de lado.
— Josh! — Respondeu rápido.
— Ah! Josh… Ele é meu vizinho e antes de vim pra cá vi ele nú no quarto dele. Deve demorar. — Falei sorrindo. Me aproximei mais, ele ficou um pouco assustado. — Relaxa, você tá muito tenso. — Falei com um sorrisinho malicioso.
— Que isso, estou bem. — Deu um sorriso forçado sem graça.
— Namorando? – Perguntei, mas realmente não me interessava eu ia beija-lo da mesma forma, não admito perder uma aposta.
— Não — Ele balançou a cabeça negando.
— Hum, isso é bom. – Falei fixando meus olhos nos dele. Ele ficou sem graça e se virou para frente atrapalhando meu bote. — Acho que eu já vou. O Josh não chega.
— Olha pra mim. — Ele se virou-se pra mim e não sabia se fixava os olhos nos meus olhos ou na minha boca. Dei uma rápida olhada para o Lucas e ele deu um sorrisinho pra mim. Voltei aos olhos do Matt e mordi os labios. — E alguma garota já fez isso com você? — Disse colocando a mão no amigo dele. Ele regalou os olhos. Dei um sorriso malicioso, e me levantei.
Caminhei em direção do Lucas, ele estava eletrico. Se afastou para que eu sentasse ao lado dele, mas apenas peguei minha bolsa e voltei em direção ao Matt. Luke ficou sem entender.
— Ah, esqueci uma coisa. — Falei voltando para onde o Matt estava.
— O que? — Disse olhando fixamente nos meus olhos. -
— Isso.. — Falei já puxando pela camisa e beijando o Matt. Continuei beijando, e ele correspondendo.
Beijo até que foi demorado, eu quem guiava, ele parecia nunca ter beijado antes. Já que tava ali, fiz a boa ação de da um beijo demorado, gostoso e quente. Quando mais eu beijava mais ele queria, e eu comecei a querer mais também. Minha língua acariciando a dele, acho que até o Lucas olhando de longe ficou excitado, no final do beijo dei uma mordidinha no lábio inferior dele. Quando parei o beijo, ele ficou me olhando com cara de espantado, pra ele isso com certeza era um sonho. Dei um sorrizinho de lado e sai dali.
O Luke levantou e foi atrás de mim. Ele estava rindo de tudo.
— Pegou de jeito o cdf. — Lucas falou rindo.
— Pode parar de rir. Não esquece que você tem uma festa pra organizar. — Falei andando rápido sem olhar para ele. — Mas ele veio e parou na minha frente.
— Quero aumentar a aposta. — Disse ele com um sorriso de lado.
— Como assim? — Olhei nos olhos dele.
— Faça dele mais um trofeuzinho e tire a virgindade dele. — Logo sai da frente dele e continuei andando. Mas ele logo voltou. — Eu estou falando serio. — Parou na minha outra vez.
— E o que eu ganho com isso? — Disse com um sorriso malicioso.
— O que você quiser. — Na hora sorri confirmando a aposta. Coitado. Iria se arrepender. Ele deve ter esquecido que sou criativa.
Fiquei o caminho todo pensando como iria tirar a virgindade do Matt. Chegando na escola, o Luke começou a fala sobre a festa. Quando vi de longe a Rebecca chegando. — Ei Luke, aquela vindo na nossa direção não é a sua irmã? — Ela vinha em nossa direção muito revoltada. Parei e comecei a observar se ia rolar uma briga logo cedo, isso seria divertido.
Continua …

Fala, galera! Como vocês têm passado nesse período em que ficamos fora do ar? Querem saber o que aconteceu nesses meses? Mudanças nos escritores, renovação dos personagens, novas ideias, mas o mesmo roteiro que prende o leitor na tela do computador. É a web série The-Strong que está de volta!
E como será que tá seu personagem favorito? Como será que anda a relação de Josh com Louise? Será que o Matt irá se destacar na nova escola? E o Jhonny com sua auto-confiança de sempre? Ben e Valentina: só amizade? Quais serão as próximas armações de Valerie? Rebecca e Brandon. Brandon e Rebecca. Vai acontecer ou não? Onde o Lucas entrará nesse romance? Neste domingo a história vai continuar e você não pode ficar de fora dessa!
Abraço. Família T.S

Episodio 13 - Stupid.
(Brandon narrando)
Comecei a contar para o Matt o que tinha acontecido naquela noite, disse por alto o que tinha acontecido, me poupei de detalhes. Mas as memórias começaram a invadir minha cabeça, com flashbacks confusos e tudo que se tem direito. Comecei a lembrar tudo o que tinha acontecido.
- Flashback on - Sabado 19:00 – Forte
Cheguei ao Forte muito animado, tinha muita gente, estava precisando jogar conversa fora e dar uma olhada no sexo oposto, era o que eu estava precisando pra distrair a cabeça. Mas é claro, isso era meio impossível. Virei um mané depois que terminei com a minha ex. Precisava tomar coragem e sair dessa vida. Até chegar ao bar foi um pouco complicado. Minha sorte que um dos garçom era afilhado da minha mãe, cresci com o cara. Ele tinha feito faculdade de direito mas não conseguiu emprego, então veio trabalhar aqui agora, lamentável. Ele me deu a cerveja e logo me virei em direção ao meu lugar de costume no Forte. Calmo, silencioso, onde dá pra se ter toda a visão do lugar.
- Ooopss, caramba! - balbuciei - Te molhou? Que merda, desculpa mesmo! – Esbarrei em uma bela garota, não vi direito o rosto, meus olhos foram para o decote discreto da blusa azul que ela estava usando. Sem querer, claro. Olhei direito para aquele rosto e notei, era Rebecca. Tô sempre esbarrando com essa garota – pensei.

- Não, não foi nada… - ela deu um sorriso nervoso e olhou pra blusa azul manchada de cerveja com desgosto, mas fingiu não se importar.
- Mil desculpas, mesmo. Eu sou um estúpido.
- Esquece isso - ela disse, desistindo de se preocupar com a blusa. - Mas e aí? Como tá?
- É… eu to bem - não pensei que ela continuaria a conversa, então me virei pra inventar algum assunto… estúpido, sou um estúpido, já falei isso? - A noite tá legal. Chegou agora? – perguntei.
- Não, tem um tempinho. - ela olhou pro lado e riu discretamente, não entendi isso - Eu adoro essa musica – ela me olhou nos olhos por alguns segundos e pegou na minha mão, sem me dar opções - Vem dançar.
Imaginei que ela tinha bebido algumas antes.
- Eu não sei dançar pra falar a verdade. – Disse um pouco tímido, porque… quem na face da terra não sabe dançar? Eu devo ser um anormal. Estúpido.
- Ah, vamos lá. É só se balançar no ritmo da música. Não vamos dançar O Lago dos Cisnes! – Ela disse, agitada. Nunca tinha notado esse lado cômico dela. Era encantador.
Começou a tocar Like A G6, essas músicas de modinha, que todos gostam, sem nenhum sentido e com o refrão agitado. Fiquei um pouco sem jeito, não sabia como me movimentar. Comecei a olhar para o lado para observar como as pessoas dançavam. Ela segurou as minhas mãos e me conduziu, e entrei no ritmo dela. Parei de me importar com os outros e comecei a observá-la, e foi como se a musica parasse de tocar, as luzes em cima da Rebecca tomassem cores mais forte. Não sou do tipo romântico, mas jurei que aquele momento tava em câmera lenta. O jeito que ela dançava era muito sensual, movimentos lentos e depois agitados. A forma como o cabelo dela se movimentavam e as caras e bocas em cada parte da musica complementavam todo o encanto.
Ela percebeu que eu não parava de olha-lá e ficou sem graça e mostrou língua. E todo bobo fiquei e dei um sorriso em troca. Sem pensar, estúpidamente, puxei ela pela cintura, colando seu corpo junto ao meu, e aproximando meu rosto para susurrar no seu ouvido.
- Você é uma ótima dançarina. - eu peguei uma mecha de cabelo solta do cabelo dela, e pus pra trás - E eu, um completo desajeitado. Mas ainda sim, fico feliz por você ter sido guerreira, ao invés de sair correndo para não passar vergonha – Disse, irônicamente, enquanto acompanhava os seus movimentos.
- Pra falar a verdade, eu tenho que admitir. Você de fato é um péssimo dançarino e já pisou no meu sapato novo umas três vezes – Ela disse rindo e debochando da minha cara - mas eu não me importo.
- O-k. Sapatos novos. Vem cá, vou pisar mais uma vez – Disse já ameaçando em pisar nos novos sapatos dela, e rindo.
- Para Brandon - Ela começou a rir e me deu um abraço para impedir que eu fizesse tal maldade.
Quando ela me abraçou foi… caralho. Ela sorria de um jeito especial e retribuia meu olhar. E aquelas risadas deram lugar a um clima diferente. Olhava pra ela e só conseguia imaginar… imaginar… a gente. Me aproximei cada vez mais, coloquei a mão em sua nuca e a beijei carinhosamente. Durou apenas alguns segundos antes da confusão toda acontecer.
- Porra! Que merda é essa? – Lucas se meteu no meio, me empurrando. E segurou o braço da Rebecca, começando a puxa–lá.
- Lucas, me solta! – Ela xingou ele, antes de me olhar com uma cara de “sinto muito”.
Não pude ficar parada vendo aquela situação. Esse Lucas merece outros socos para deixar de ser retardado. É sempre ele ultimamente. Filho-da-puta. Quando esbocei uma reação, senti alguém me segurando. Ouvi vozes dizendo “deixa que eles se entendam”;”eles são irmãos”;”é melhor não arrumar confusão”. Não ouvi, não me segurei, e fui atrás. Cheguei do lado de fora do Forte, procurando por eles, avistei os dois discutindo e me aproximei.
- Não trata sua irmã assim, retardado. Deixa de ser babaca. – falei exaltado, partindo pra cima.
- Deixa ele, Brandon. Já estamos de saída, né Luc? – disse ela preocupada, puxando o irmão.
- Ir embora? Sem essa, Bec. A noite só está começando. Não é mesmo panaca? – disse ele olhando pra mim, com um sorrisinho sarcástico no rosto.
Não me contive e fechei os punhos, mas geral já tinha chegado do lado de fora também, pra ver no que ia dar, então me seguraram. De novo. Olhei em volta e desisti, não vou dar o gostinho pra esse pessoal, brigar com Lucas é muita perca de tempo. Olhei para Rebecca, e me virei pra ir embora.
- Ei, qual é o seu nome mesmo? Brenda? É uma mocinha mesmo! Hahaha! Vem cá seu covarde, não cansa de perder não? Primeiro sua mulher e agora sua dignidade? Que mulherzinha. – Escutar isso do Lucas foi a gota d’água.

Respirei fundo, os babacas drogados já começavam a gritar “briga, briga, briga!”. Fiquei o encarando por alguns segundos. Ele ria debochadamente e me chamando para ir para cima dele. Não me contive e fui pra cima, mas como sempre os amiguinhos baba ovo do Luc estavam presentes e me detinham, era como se o Lucas fosse o Rei dos Idiotas e seus babaquinhas, os seguidores. Com os idiotas me segurando fiquei sem reação e lá vem o Lucas veio andando em minha direção.
- Sabe do que você precisa? É de outro corretivo, mas desse vez Brendinha, eu vou te dá essa surra. – Ao redor, a galera gritava e o apoiava.
- É isso que eu esperava de você mesmo, palhaço. Precisa que os seus amiguinhos me segurem para você me bater. Olha só quem é a mulherzinha aqui. – Disse devolvendo com um sorriso irônico.
Ao redor, começaram a zombar, com um ar de apoio, do Lucas. Depois dessa ele fechou a cara, antes de abrir novamente o sorrisinho estúpido na cara de novo. Rebecca estava nervosa, parei para olha-la por alguns segundos. Joguei um olhar de conforto antes de me virar pro Lucas novamente.
- Ah, mas que merda heim, vocês não cansam dessa infantilidade não heim? – Valentina surgiu… me salvando? – Já passou da hora de acabar com essas briguinhas, crianças. Vocês não estão mais disputando o lápis de cera, porra.
Ninguém estava entendendo nada, e ela reparou nisso, então continuou rapidamente a falar.

- Vamos ser mais criativos, aposto que todos aqui querem assistir um racha entre esses dois, garanto que será mais divertido. - ela se virou em direção à platéia, que veio ao delírio.
Não, ela não está me salvando de nada, não sei o que seria pior, ela aparecer ou não.
- Hahahahaha, boa ideia, será um prazer fazer o corninho comer poeira – Lucas aceitou imediatamente o desafio, orgulhoso pela idéia da amiga. - Mas a Brendinha, não sei não heim! Duvido que vá aceitar.
- Eu topo. – Olhei fixamente pra ele com um olhar de fúria.
Não podia deixar como está, não posso fugir.
Rebecca não aprovou a atitude, creio eu. Mas depois a gente se acertava. As pessoas começaram a vibrar com o evento e a correr pra rua. Senti um puxão e notei que era o Josh.
- Cara, eu sei que vai ser irado esse racha com Lucas, mas é um pouco de loucura né? – Ele disse empolgado, mas preocupado, estava meio na cara que isso não ia acabar bem – Mas não fica parado aqui, eu te ajudo velho. Onde ta teu seu carro?
- Eu sou um burro né? Mas agora já era. - cocei a cabeça nervoso - Ta logo ali, vamo lá.
Mostrei o carro ao Josh e ele olhou com um olhar de preocupação. Foda-se. Entrei no carro e fui em direção ao lugar onde ia ser a corrida. Era uma estrada pouco movimentada que tinha ali perto do Forte, minha sorte que a conheço bem, pontos extras pra mim. Já estava lotado, com carros de som e várias garotas-putas dançando. Estacionei do lado do carro do Lucas. Ele tinha um desses carros de play boy, com aro 17, turbinado, rebaixado e eu… bem, eu só precisava rezar para que tudo desse certo. Mas a minha belezinha não ia me decepcionar. Valentina se aproximou para passar as instruções.
- Garotos, quando eu der a largada, o lance é ir até o bar abandonado, perto da praia do sol. Depois voltem, contornando o trevo, quem chegar primeiro - ela olhou pro Lucas, e em seguida, pra mim, finalizando - Ganha!
Ela realmente adora ver o circo pegando fogo. Não tirava o sorrisinho da cara o tempo inteiro. Ela foi em direção ao meio da pista, ficou entre os dois carros e olhou para o lado, com uma cara que ia fazer algo. Rapidamente enfiou a mão dentro da blusa e a galera foi ao delírio. Homem, mulher, cachorro, tudo que tinha lá. Acho que ela tava se sentindo em Velozes e Furiosos, só pode. Ela tirou seu sutiã rápidamente começou a rodar. Fiquei nervoso com aquela atitude, mesmo não indo com a cara dela, era impossível não me distrair com isso. Então ela gritou.
- A largada será quando eu levantar meu sutiã! - ela disse, eufórica.
Eu e Lucas ligamos os carros. Quer dizer, o meu demorou a pegar no tranco e as pessoas começaram a debochar.
- Não faça isso comigo sua carroça. Liga! Caramba. – Disse, puto de raiva. Então o motor começou a funcionar.
Nós dois trocamos olhares. O estúpido me olhou e mandou um beijo, idiota. Mas ele vai ter o que merece. E Valentina deu a largada.
Ele saiu um pouco na frente, mas fiquei colado na traseira dele. Quando nos afastamos um pouco, ele começou a diminuir a velocidade, me forçando a fazer o mesmo. O filho da puta não dava espaço para eu ultrapassar, ficava fazendo zig-zag na minha frente. Do nada apareceu uma brecha e eu passei na frente dele. Olhei no retrovisor com a esperança de ver a cara dele, mas não via mais o Lucas, nem o carro, nem nada. Foda-se. Pisei fundo e continue. Estava chegando perto do bar abandonado, quando vários faróis altos começaram a acender na minha frente me deixando sem visão. Perdi o controle, fiquei desesperado e derrapei o carro em uma curva. Armação, já deveria imaginar. O Lucas passou buzinando. Acelerei e fui atrás, eu estava alguns segundos atrás e vi ele se aproximando do trevo, onde devia fazer o contorno para voltar, mas ele só acelerava. Quando ele foi para fazer o contorno, girou com o carro. O-tá-rio. Acelerei e me aproximei, fiz o contorno no trevo e passei na frente dele. Não olhei para trás e continuei. Ele vinha em alta velocidade atrás de mim, mas eu não ia perder essa. Com certeza ia ficar feio para ele perder essa corrida, então o garoto apelou. Começou a bater na minha traseira. Perdi um pouco do controle e ele conseguiu ficar um pouco mais a frente de mim. Não era o suficiente pra ele fazer isso, ele continuava batendo no meu carro. Na segundo batida eu quase rodei.
- Se o Lucas quer brincar, vamos brincar! – disse revoltado.
Quando ele veio pra terceira batida, freei o carro bruscamente e ele rodou na minha frente e capotou.
- Flashback off -
Domingo, 20:00 – No carro com Matt.
- Depois disso, Lucas mandou os amiguinhos deles darem um jeito em mim. Me colocaram dentro do porta mala, depois de horas, me tiraram e me deram uma surra. Daí eu acordei numa praia abandonada. Foi mais ou menos isso. - disse, me distraindo com um dinossauro de miniatura que tinha jogado no chão do carro.

Episodio 12 - ”The Ride”
(Brandom narrando)
Que sonho bom, barulho do mar, brisa fresca … consigo até sentir a umidade do ar e a areia. Os sons das garças falando no meu ouvido e me fazendo cafuné…
― GARÇAS? – levantei assustado e vi que não era um sonho. ― Sai daqui, xô, xô, sai. Ai caralho… – Tive que levantar correndo porque uma maldita garça estava querendo me comer ali mesmo. – Abre os olhos infeliz, não sou um peixe não – Xinguei ela sendo totalmente ridículo.
Eu estava jogado na praia, meu corpo estava todo dolorido, minha boca com um gosto horrível de sangue ― E porra, onde eu to? – Pensei quando olhei para todos os lados e só via o nada. ― Vou ter pena do Lucas quando eu pegar ele sozinho.. ― Disse resmugando. Maldito Lucas e seus amiguinhos. A diversão deles anda sendo me espancar, tudo é motivo pra me dar uma surra. Já passou da hora dele encontra alguém que vai quebrar com…
― Aff, esquece, agora tenho que arrumar um jeito de voltar pra casa, pelo jeito não estou nada perto – Resmunguei baixo comigo mesmo, obviamente comigo mesmo, não tinha mais ninguém além de mim e aquelas garças naquela maldita praia deserta.
Insisto em dizer que este ano é o pior de todos para mim, tudo dá errado, só espero que as coisas comecem a melhorar, aliás, não vejo formas de piorar. Fui caminhando e reclamando pela praia em direção a rodovia, uma carona seria uma boa idéia.
Um Sol escaldante naquela estrada, eu me sentia naquelas rodovias de filmes de bang-bang, sem carro de um lado, muito menos do outro, só faltava uma grande bola de palha passar por ali empurrada com o vento. Esperei um bom tempo ali, não tinha muita noção, mas acredito que eu já estava ali parado por mais ou menos meia hora. Olhei para esquerda e estava vindo um caminhão.
― Até que enfim – Levantei rápido da pedra comemorando.
Comecei acenar com a mão, balançar, comemorar e isso fez com o caminheiro encostasse bem onde eu estava.
― E aí coisa fofa. Vem cá, senta aqui bem juntinho de mim vamos conversar. Pode me chamar de Cléo. – Disse ele com uma voz grossa e com um olhar sedutor batendo a mão no banco do passageiro.
Só o que me faltava! Largado no fim do mundo e quando aparece uma carona, me vem isso. Não, não pode piorar.
― AI MEU DEUS – Eu apenas murmurei isso quando o vi se insinuando.

― O que foi lindinho, não tá afim de uma… carona? – Ele me disse deixando transparecer algo muito maior que uma carona.
― É… que… – eu gaguejei, droga.
― O que foi? Sobe logo, tenho uns brinquedinhos aqui atrás. – Piscou pra mim mordendo o lado dos lábios.
― É que eu só estava aqui esperando um amigo, e você passou…. – Eu tentei dar essa explicação para fugir daquela carona.
― E eu vi você todo eufórico com minha passagem e resolvi te oferecer uma… carona. – Droga. Essa ênfase no ‘’carona’’ ta me deixando abismado.
― É que eu pensei que fosse ele, acredita que seu caminhão é idêntico ao dele? – Reforcei a mentira.
― Hum, ok então coisa fofa, não sabe o que está perdendo ― Deu um sorriso horrível, credo ― Tchau, tchau ― acelerou o caminhão mas antes de sair jogou um papelzinho, que eu curioso fui abrir, lá estava escrito de caneta rosa Cléo e um número, provavelmente do seu celular.
― Esse daí deve ta muito necessitado. – questionei e joguei aquela papelzinho no mato.
Resolvi ir caminhando, minha casa estava muito longe dali, mas talvez ajudasse se eu caminhasse um pouco, seria muito difícil eu encontrar outra carona e muito menos uma correta desta vez. Aproveitei pra tirar a camisa, o sol tava escaldante e foi ai que avistei uma árvore e resolvi dar uma descansada ― Sombra.. – Logo que fui me abaixar ouço um barulho de um carro chegando em alta velocidade. Quando comecei a me animar com a idéia e me virei para a pista.
― Hey, que traseirão hein – Dois babacas na janela do carro gritaram me zombando.
― Filhos da… mãe – Terminei a frase em voz baixa, chega de encrenca por hoje.
Eles passaram bem rápido, só pude ouvir a primeira zombaria e os risos dos colegas que fumavam dentro daquele carro velho.
Voltei a idéia de me sentar para descansar, quando um carro quase que silenciosamente encosta bem ao meu lado, para não fazer barulho imagino que a velocidade em que chegou deveria ser de uma 30km/H.
― Filho, vai pra onde? – Uma voz suave me perguntou.
Abaixei para observar melhor a pessoa e avistei uma velha senhora, deveria ter uns 60 anos (isso explica a baixa velocidade), já tinha cabelos brancos e aparentava ser pouco ameaçadora dirigindo aquele Ford modelo bem antigo.
― Para próxima cidade! Uns amigos me esqueceram aqui, eu estava em uma festa – Menti para não passar vergonha com o que realmente aconteceu.
― Ai ai, jovens de hoje, entra aí, estou indo pra lá, te dou uma carona – Ela me ofereceu com um sorriso de ‘velhinha’ solidária.
― Muito obrigado. – Eu aceitei imediatamente e já fui abrindo a porta do carro.
Eu não podia perder uma carona dessas, naquela redondeza só parecia ter gente estranha, dificilmente eu iria conseguir outra.
― O que faz de bom garoto? – Ela me perguntou.
― Ah, ultimamente nada, estudar, trabalhar, apanhar – terminei a frase ironizando.
―Você parece pálido, tem uns biscoitos aqui no banco de trás. Vou pegar para você. – Ela simplesmente soltou o volante para pegar os biscoitos e o carro começou a dançar na estrada.
― MINHA SENHORA. – Pulei no volante e o segurei, levei um grande susto porque logo na frente tinha uma ribanceira. E estou novo demais para morrer.
― Porque está segurando o volante? Deixe que eu dirijo e coma esses biscoitos caseiros. – Disse como se não tivesse acontecido nada.
Hoje não é mesmo meu dia de sorte. Essa velha é caduca e vai me matar. Mas peguei os biscoitos e estavam maravilhosos. Isso desconta o susto.
― Os biscoitos estão… excelentes. – Qual assunto eu deveria puxar com velhos? Eu não tinha a menor noção de como conversar com um.

― Meu falecido marido Harold amava. – Ela disse com um olhar pensativo em direção a estrada.
― Ah, sinto muito, não queria ser inconveniente, meus pêsames. –
― Não se sinta mal, foi melhor pra ele. –
― Ele morreu de quê? – Não queria ser inconveniente, mas acabou saindo.
― Envenenado. – Ela disse, jurei que vi um sorrisinho no canto de sua boca, mas deve ser loucura minha. Bizarro cara, bizarro. Fechei minha boca antes de continuar naquele assunto.
Precisava tomar um ar. Quando fui abrir a janela ela trancou a porta e não me deixou abrir a janela.
― Você já está muito pálido e sua mãe não ia gostar de você chegar em casa resfriado. – disse a senhora. ― Pronto agora que eu morro – Pensei aflito.
― Mas eu tenho um xaropinho que vai te ajudar. Mas eu não sei onde está … Aqui. – Ela pegou o frasco já enfiando na minha boca e derrubou tudo na minha calça. É não pode piorar a situação.
― Nossa meu filho, olha o que você fez. Derrubou tudo nas suas calças, deixa eu te ajudar. – Ela rapidamente soltou o volante novamente e se abaixou rente ao meu .. ée .. sabe né? E me pegou de jeito.
― S-E-N-H-O-R-A ― perdi o ar e tive que pegar o volante outra vez e controlar o carro.
― Ai meu filho espera que estou limpando pra você, fica quieto. – ela disse e voltou a…
― Ai aii .. não .. para .. senhora .. para .. aiii .. aaaiiii .. asssim .. continuaa .. não, não .. P-A-R-A. – Eu não sabia o que eu fazia se mandava ela parar, continuar ou segurar o volante.
Ela levantou rapidamente como seu não tivesse acontecido nada e segurou o volante. A única coisa que eu conseguia fazer era respirar para recuperar o ar. Essa velha é uma louca.
― Minha dentadura esta solta na minha boca. – Ela tirou a dentadura e junto saiu uma baba asquerosa. – Pronto tirei. E novamente ela se abaixou rente ao meu … éee
― N-Ã-O. – Comecei a bater sem para na porta para abri e me joguei pra fora do carro, saindo rolando até para. – AHH – dei um grito longo ali deitado mesmo na estrada e com o sol bem na minha cara.
Eu não acredito, é muito azar para uma pessoa só. Quando comecei a ficar sonolento e entregando os pontos … Uma sombra tampou o sol.
― Rebecca? Você é um anjo. Que linda suas asas pode me levar para o seu céu. – Vi a miragem.

― Rebbeca? Você está doido Brandon? Sou eu, o Matt – Ouvir ele dizer ao som de “Aleluia, aleluia … Aleluiaaa ♪
― Cara que bom ver você. – Disse com um sorriso no rosto
Ele me ajudou a levantar e me levou até o seu carro, abriu a porta para que eu pudesse entrar. Ligou a Caravan antiga e partimos.
― Ufa, que velha louca, ainda por cima tarada. Tudo bem que eu estou precisando de uns pegas, mas uma velha dessa tá fora dos meus princípios – Exclamei para mim mesmo.

― O que está falando? – Me questionou Matt.
― Nada não, só estou pensando alto aqui – Omiti a verdade para evitar sarros.
Me mexi no banco e fui vira a maçaneta para abrir um pouco os vidros.
― O que tá fazendo velho, tá louco? – Ele me disse com tom alterado.
― Só vou abrir um pouco os vidros – Recuei.
―Tudo bem então, mas com cuidado. Esse é um carro antigo, já foi do meu pai, teve uma época que ele vendou e agora conseguiu comprar de novo, ele sempre amou esse carro, é como se fosse uma parte do coração dele – Matt me deu a explicação ― Mas também, repare que belezinha, é confortável, sua pintura está impecável, seu motor está igual a um pulmão de um garotão de 18 anos. Esse carro é muito melhor que muitos carros do ano por aí. – Ele prosseguiu se gabando daquele carro que pra mim não passava de um ferro velho.

― Ah, entendei. Muita sorte do seu pai por conseguir de novo então. – Eu completei tentando disfarçar minha ironia.
― Mas cara, me conta o que tá fazendo para esses lados? Você está todo sujo, tava cavando poços de petróleo por aí? – Perguntou fazendo piadinha.
― É uma história muito longa. Você não tava no Forte sábado não? – Todos os jovens da cidade vão para o Forte fim de semana. O que esse cara deve ficar fazendo nos sábados a noite? ― Hum! Imagino – pensei comigo.
― Josh comentou desse Forte, mas ainda não conheci. Tive outro compromisso no sábado – Ele disse meio sem graça. ― Mas me conta o que aconteceu? – Perguntou sem mostrar muito interesse.
― Problemas com o Lucas e eu louco fui na dele, mas me garanti … quer dizer, mais ou menos né. –
― Só podia ter esse Lucas no meio mesmo, mas conta logo cara – Disse ansioso
― Então ..
Continua…

Episódio 11 - Always Disturbing
(Rebecca narrando)
Ainda tentei alcançar o carro onde haviam colocado Brandon, mas um dos babacas que pagavam de “capangas” do meu irmão segurou meu braço e me colocou dentro do meu carro e me levou para a casa, tentando me manter em silêncio enquanto aumentava o som no último volume.
Eu bati no braço dele algumas vezes, mas o máximo que consegui foi fazer ele perder o controle do carro… mas só por alguns segundos.
No momento eu não sabia se eu odiava mais o meu irmão, ou aquele idiota que tentava dirigir o meu carro.
― Pare o carro. Olha… ― eu respirei fundo, com um nó na garganta. ― Que puta idiotice estão fazendo!
― Discuta com seu irmão ― foi só o que o fortão falou.
Eu não disse mais nada, seria inútil. Mas era impossível não pensar no que iam fazer com Brandon. Minha raiva aumentava a cada segundo e assim que ele estacionou o carro na frente de casa, puxei a chave do ignição e desci do carro ― deixando o babaca lá.
Entrei em casa procurando por Lucas. ― Eu só espero que ele já tenha chegado em casa. ― Subi as escadas em poucos passos e o vi pela fresta pouco aberta da porta do quarto dele, mas ele não estava sozinho. Não me contentei em só respirar fundo e perdi maior parte do controle do meu corpo e da minha raiva.
Entrei no quarto, empurrando a porta e ele afastou os lábios da boca da garota que estava com ele, me observando com um sorriso sínico no rosto. ― Olhei ele e aquela vadia que estava deitada na cama com ele.
(Lucas narrando)
Qual a melhor forma de esquecer os problemas, além de beber? Sexo. Veja bem, eu não costumo repetir figurinhas, porque não completam álbum, mas a namorada… Ex… Whatever… Do Brandon era uma exceção. Gostosa? Ela era. Boa de cama? Também. Mas não era por isso que eu estava repetindo. Além de fazê-lo sentir fisicamente dor por dar em cima da minha irmã, eu queria que ele sentisse emocionalmente também. Se eu dissesse isso pra Valentina, ela provavelmente riria dizendo que sou gay porque fiz por causa dele e não dela.

Nós dois estávamos deitados no chão do meu quarto. Eu estava por cima, beijando a barriga dela e descendo… Quando minha mão estava tentando abrir o feixe do sutiã dela, a porta do quarto se abriu atrás de nós. Virei-me na mesma hora que Ashley ergueu a cabeça, e vi a Rebecca com a mão na maçaneta me fuzilando com o olhar. Só pela expressão no rosto dela, deu pra perceber que estava muito, muito puta comigo. Eu me voltei pra Ashley. Pretendia dizer pra ela nos dar um tempo, mas a Rebecca foi mais rápida:
― Piranha, será que você pode, por favor, voltar pro rio alguns minutinhos?
E deu um sorrisinho falsamente simpático. Levantei-me e estendi a mão pra ajudar a Ashley a se levantar também. Joguei uma camiseta social minha que estava em cima do sofá pra ela e disse:
― Ashley… Espera um minuto lá fora, por favor.
Ela saiu sem dizer nada. Rebecca se aproximou de mim e perguntou:
― Você se machucou? Digo… No acidente.
― Não, eu tô bem. Mas o quê você…
Antes que eu pudesse perguntar, ela me virou um soco que caí no sofá, ela subiu por cima de mim, ainda me batendo.

― Rebecca, caralho, para com isso!
Consegui segurar as mãos dela e a empurrei, tirando-a de cima de mim. Levantei-me e a puxei pra perto de mim.
― Para. Com. Isso ― repeti entre dentes, segurando as duas mãos dela contra o meu peito. ― Parou?
― Você é um idiota! ― ela explodiu.
― Ok, Cinderela, você veio aqui pra falar coisas óbvias?
― Por que… Lucas, por que fez aquilo com ele?
― Ele quem, minha filha? ― me fiz de desentendido.
Ela não respondeu, só esperou. Sentei no sofá e abracei a almofada.
― Porque eu não o quero perto de você, simples assim.
― E desde quando é você que decide quem vai ficar perto ou longe de mim?
― Não fala comigo desse jeito. Eu só quero te proteger, caralho!- respondi
― Você devia começar me protegendo de você mesmo, então.
Ela nunca saberia o quanto aquilo me magoou, mas pareceu perceber. Apesar disso, não diminui a raiva dela.
― Francamente, Lucas. Eu querer ou não querer que você fizesse algo já te impediu alguma vez? ― ela não esperou pela resposta e continuou. ― Não, né? Você nunca pensou no que eu queria quando “dormiu” com as minhas amigas, inimigas e às vezes até com as mães delas! Então, por que eu devo te levar em consideração? ― ela cruzou os braços.

Levantei-me num salto e cheguei perto dela. Segurei o rosto dela com as mãos e a fiz olhar nos meus olhos.
― Isso é diferente. Completamente. Elas nunca me machucaram. Nunca me fizeram sofrer ― sussurrei.
― É claro que não, você fez isso pra elas antes ― ela rebateu.
― Rebecca. Rebecca, meu amorzinho ― repeti, e coloquei o cabelo dela atrás da orelha. ― Ele é só um idiota. Não merece você. E… Se ele magoar você… Se ele te fizer chorar… Eu vou preso por assassinato. Você quer isso? Você sabe o que fazem com caras bonitos como eu na cadeia ― fiz biquinho.
Ela sorriu, que era o que eu queria, mas só por um momento, depois respirou fundo.
― Lucas… Você é meu irmão e tem o… Direito… De querer me proteger. Mas me proteja das coisas certas, ok?
― Tipo… De mim? ― dei um sorriso triste. ― Ok, manterei isso em mente.
― Não. Não de você. Mas também não do Brandon. Sei que você não entende, mas ele é diferente.
― Eu não gosto desse papo… No final, todos os caras que você jurou serem“diferentes”, acabaram sendo exatamente iguais ― resmunguei.

― Então vai ter de confiar em mim. - Ela me abraçou.
― Por favor… Não deixa ele te machucar, tá? ― sussurrei no ouvido dela e me retirei do quarto.
(Rebecca narrando)
Não fui atrás dele. Eu sabia que não adiantaria. ― Ele fingiu que se importa com o que eu disse, mas conheço meu irmão. Como sempre. ― Respirei fundo e fui para o meu quarto.
Eu não consegui ficar quieta, sem imaginar o que iriam fazer com Brandon. Eu só… precisava saber pra onde o teriam levado, mas com certeza todas as hipóteses do mundo em que eu arriscasse, estariam erradas. ― Eu não fazia a mínima ideia de um lugar para qual pudessem levar ele e, pior, eu também não fazia a mínima ideia do que seriam capazes de fazer com ele.
― Droga… O Lucas ainda me paga ― murmurei, deitando na cama.
O nó na minha garganta me deixava completamente maluca.
― Minha cabeça doía um pouco, acho que devo tê-la batido enquanto tentava lutar contra aqueles babacas que me tiraram da casa de Brandon a força, ― mas lembrar da casa dele também me fez lembrar outras coisas, outro lugar… um beijo.
Eu tinha… gostado daquele beijo. Daquele jeito, naquele lugar. ― Sentir ele foi estranhamente agradável. Mas eu não podia pensar dessa forma. Um beijo seria motivo suficiente para Lucas acabar com a vida dele e querendo ou não, o idiota do Luc era meu irmão.
Fiquei me revirando na cama ― tentando me acalmar, mas minha preocupação sequer me deixava fechar os olhos. Eu tinha medo. Aqueles caras poderiam quebrar o nariz dele com um soco. Ou pior, poderiam tirar a vida dele só com alguns murros. E eles não me pareciam temer isso, eles me pareciam querer. ― Com toda certeza o Brandon estava fodido e o pior ― a culpa era toda minha.
Eu me odeio. ― Levantei da cama com pressa o suficiente para chegar ao banheiro antes mesmo de conferir se havia alguém em casa, provavelmente o Lucas já deveria estar bem longe dali. Eu empurrei a porta, fazendo com que ela batesse de forma exagerada.
Sentei no chão do banheiro e abri uma gaveta. ― Dentro dessa gaveta havia uma caixa azul, pequena, com alguns desenhos em cima. ― Era familiar. Eu a abri e tirei de dentro dela um pedaço de papel, onde estava enrolado uma lâmina.
Encostei a cabeça na parede do banheiro e respirei fundo, enquanto fechava os olhos e passei a lâmina sobre meu pulso, sem olhar.

Afastei minha mão do pulso antes que o sangue pudesse sujar minha roupa e me ajoelhei em frente a pia, colocando meu braço sob a torneira, ligando-a e deixando a água escorrer sobre o corte.
Ardia, mas o meu medo do que poderiam estar fazendo com o Brandon ainda me enchia de raiva.
Eu respirei fundo e guardei a lâmina depois de jogar uma água nela, fui para o quarto e cobri meu pulso com um pano pequeno, que estava em cima da minha cama.
Abri o guarda-roupa e puxei a primeira blusa de frio que vi. A vesti, respirei fundo e resolvi tentar me manter quieta até saber notícias.
Uma hora Brandon ia aparecer. Ou pelo menos eu ainda veria o Lucas que poderia me dar sinal de vida dele.

Episódio 10 - “Little Sister”
(Luke narrando)
Acordei. Não, isso não significava que eu havia aberto os olhos ou iria levantar. Só que eu não estava mais dormindo. Minha cabeça doía pra caralho. Como se eu tivesse pegado Vodka, Whisky, Tequila, Vinho, misturado tudo, batido no liquidificador e bebido de uma vez só. Meu corpo também doía pra caralho. Parecia que eu havia feito sexo à noite toda de cabeça pra baixo em cima de uma máquina de lavar ou algo assim. Se fosse isso, não teria problema, mas eu não sabia por que eu estava tão dolorido assim e eu não sabia até mesmo onde eu estava. Que medo de abrir os olhos. Vai que… Sei lá, que eu morri. Mas o inferno seria mais quente, não seria? E a morte com certeza era mais confortável do que o lugar onde eu estava deitado, que obviamente não era a minha cama fofinha. Ok, vamos lá, Lucky, seja corajoso.
Quando eu abri os olhos… Bom, teve o lado bom e o ruim. O bom era que eu não morri. O ruim é que eu estava em quarto de hospital e não sabia por quê. Logo, eu preferi ter morrido. Porque a merda que eu fiz dessa vez, mesmo eu não sabendo qual era ela, tinha sido grande o suficiente pra fazer meu pai dar as caras. Meu pai, Gregory James Davenport.
― Pai ― eu disse. Fiquei surpreso porque minha voz não tremeu. Dei um sorriso nervoso.
Ele não disse nada, só me encarou. Estava encostado no balcão, com os braços cruzados sobre o peito. Eu odiava quando ele fazia isso. Quando ele me lançava esse olhar de “eu estou julgando você”, como se ele soubesse de algo que acontece na minha vida, como se ele participasse dela, como se ele conhecesse os motivos por trás dos meus atos.
― Então… O que aconteceu? Qual é a ocasião especial que te traz aqui? Não é meu aniversário nem nada… Opa, eu esqueci que você não sabe o dia do meu aniversário.
― Nenhuma ocasião especial, Lucas. Nada novo. Na verdade, só o esperado, vindo de você. Decepção. Você apronta e eu livro sua cara, fim. Isso que aconteceu.

― Acabou?
― Você tem que parar de fugir de responsabilidades, Lucas. Tem que começar a encarar as coisas como um homem.
― Eu aprendi com a ser assim com o melhor, pai. Aprendi com você.
Ele não disse mais nada depois disso. Nem eu. Sabe aquela sensação desconfortável que você sente quando tá sozinho com um estranho em uma sala? Então. A diferença é que não era um estranho, era o meu pai. Se bem que meu pai era realmente um estranho pra mim, então dá na mesma bosta.
Há algum tempo atrás ele havia parado de me passar àqueles longos sermões quando eu fazia alguma merda. Tinha se dado conta de que nunca funcionava.
E assim nós ficamos, em silêncio, cada um no seu canto, até ele ir embora. Ele nem se despediu. O celular dele deve ter tocado umas duzentas em menos de meia-hora.
É foda como na vida tem pessoas, situações, lugares, sentimentos e coisas que incomodam e cansam pra caralho, mas a gente não faz nada pra mudar isso, simplesmente se acostuma, porque é mais fácil.
Ok, foda-se. Agora… Por que eu estava na porra do hospital mesmo? Deitei a cabeça no travesseiro, fechei os olhos e me concentrei em tentar lembrar o que havia acontecido noite passada ― não era algo que eu estava acostumado a fazer. A dor na minha cabeça aumentava conforme eu me esforçava.
Por fim, as lembranças vieram, mas borradas e confusas. Elas envolviam: eu, minha irmã, Ben, Valentina, muitas outras pessoas, e um racha de carros entre mim e o Brandon. Perdi o controle e bati o cachorro. Foi isso? Porra, sei lá. Sabia que a culpa era do Brandon. Ele havia dado em cima da minha irmã. Peguei o celular. Disquei. Fui atendido no primeiro toque.
― Diz.
― Rick?
Rick, ou Henrique, era um monstro de 2 metros de altura, com braços maiores do que minhas pernas. Não tinha cérebro, mas sabia dar porrada como ninguém mais. Ele era o Einstein dos músculos, por assim dizer. Ouvi um barulho de porta abrindo atrás de mim, mas ignorei.
― Eu preciso que você faça algo pra mim. Você sabe quem é Brandon, não sabe?
― Sei. O cara de ontem à noite.
― É, esse mesmo. Eu quero que você o faça esquecer o próprio nome com tantos socos, pode ser? Ele não aprendeu muito bem da primeira vez.
― Luke?
― Fala, Rick.
― Posso fazer o que eu quiser com ele? Digo… Dar mais que alguns socos. Sei lá, sumir com ele com algo assim.
Sorri.
― Pode. Melhor ainda.
Quando eu desliguei, ouvi a porta batendo atrás de mim, e quando me virei pra olhar, vi a minha irmã correndo pra fora do quarto.
(Rebecca narrando)
Eu estava correndo pelo hospital na maior velocidade que podia. Nem pensar eu pensava. Quando eu ouvi o Lucas falando ao telefone, tudo que eu soube é que eu precisava avisar o Brandon, eu devia isso a ele, uma vez que a culpa do racha, do acidente, de tudo, havia sido minha. Entrei no carro e liguei o foda-se junto com ele. Arranquei e pisei no acelerador o máximo que pude. Dirigi como uma louca, mas não me importei.

Sabia que a rua do Brandon ficava perto do hospital ― tudo nessa cidade fica perto, aliás. Diminui a velocidade quando cheguei nela, procurando pela casa dele. Reconheci a casa graças a camionete dele que estava estacionada no quintal. Praticamente subi em cima da calçada com o carro e pulei pra fora. Tentei me acalmar um pouco. Não funcionou. Cheguei à porta da casa e bati, mas ela estava entreaberta. Foda-se se é invasão de privacidade, eu vou entrar.
Entrei, por precaução tranquei a porta e subi as escadas rapidamente, de dois em dois degraus.
A porta de um dos quartos estava aberta, e de longe vi que o Brandon estava deitado na cama, dormindo. Corri até o quarto e empurrei a porta. Ela fez um barulho alto quando bateu na parede, mas ele não acordou.
Olhando ele assim, dormindo, com a expressão tranqüila e despreocupada, ele parecia tão… Frágil, vulnerável, como se precisasse ser protegido. Mas, afinal, eu não havia vindo até ali para protegê-lo? Era por que eu estava me sentindo culpada ou porque eu não queria que nada de ruim acontecesse com ele? Droga.
Andei até o lado dele, na cama. Não sabia bem o que fazer. Cutuquei o braço dele.
― Brandon! ― sussurrei. Ele nem se mexeu. ― Brandon, acorda, caralho! ― eu disse, praticamente gritando dessa vez.
Ele deu um pulo com o meu grito e se levantou. Olhou em volta, confuso.
― Re… Rebecca? O que você tá fazendo aqui?
― Resumo rápido: meu irmão mandou um cara pra te pegar.
― Me pegar? Mas eu não curto homens não, Rebecca ― ele fez piadinha.
Eu não sorri.
― É sério. Sabe se lá Deus o que ele vai fazer contigo quando te achar. Por favor, você precisa ir comigo pra um lugar seguro, ou sei lá, pelo menos até eu convencer o Lucas a não machucar você. Por favor ―acrescentei.
Agora ele estava sério.
― Olha, Rebecca, eu…
― Confia em mim.
Quando ele abriu a boca pra me responder, ouvimos alguém tentando abrir a porta, lá embaixo. Eu olhei pela janela, mas era alto demais pra pularmos. Enquanto eu olhava, o Brandon foi até a porta do quarto e a trancou, depois correu pra mim e agarrou meu braço.
― Vem comigo ― o Brandon me puxou, abriu a porta do armário e me empurrou até lá na frente dele.
― Mas o que… ― comecei.
― Shhhh! ― ele me interrompeu, tampando a minha boca com a mão.
Ele me prensou contra o armário e fechou a porta atrás de si.
― Silêncio ― ele disse, murmurando. ― Ele deve ser aqueles gênios de academia. Talvez, se não me encontrar, ele vá embora. Apenas… Fique quieta, ok?
Fiz que sim com a cabeça e ele retirou a mão.
O espaço do armário era muito, muito pequeno, e meu corpo estava praticamente colado ao dele. Mal existia espaço pra pensar ali dentro. Ele levou o rosto até o meu ouvido.
― Posso fazer uma pergunta? ― perguntou aos sussurros.
― Você já fez ― respondi. ― Mas… Vai lá.
― Por que você está aqui?
― Porque a culpa do Lucas mandar alguém pra te bater é minha.
Ele ficou em silêncio. Pensou por um momento e depois perguntou:
― É só por isso? Quer dizer… O que muda na sua vida se eu apanhar ou não?
Eu gemi, irritada. Puta merda, por que ele tinha que fazer perguntas difíceis como essa? Era difícil responder em voz alta, porém mais fácil porque eu não estava olhando pra ele.
― E também porque… Porque… Porque eu não quero que você se machuque, Brandon ― confessei de uma vez. ― Nem que eu não tenha nada a ver com o motivo de você se machucar ou…
Antes que eu pudesse terminar a minha brilhante explicação, ele me calou com um beijo. Seus lábios se moviam com pressa e certa raiva pelos meus, e eu retribui. Eu realmente não esperava por isso, mas também não senti a mínima vontade de parar. Agarrei o cabelo dele com as mãos e pressionei ainda mais os nossos corpos.
No meio de tudo isso, ouvimos a porta do quarto sendo arrombada e a voz do Rick dizendo:
― Quando eu te achar, vou quebrar teus ossos, Sr. Bonitinho.
“Merda, fudeu”, eu pensei. Prendi a respiração
Senti o corpo do Brandon descolando do meu quando o Rick abriu a porta do armário. Ele pegou o Brandon pela gola da camiseta e deu o primeiro soco. Brandon não levantou, e o Rick sorriu. Parti pra cima dele e o enchi de tapas. A expressão de felicidade deu lugar a uma de perplexidade e ele recuou, amedrontado.
― Que porra é essa, Rebecca?
― Eu que pergunto, Rick! Porra, o que você tá fazendo?
― Desculpa, queridinha, mas foram ordens do Lucas, então reclame com ele, se quiser. Além do mais, se ninguém avisou ao Brandon pra não se meter com irmãs de caras como o seu irmão, eu lamento por ele. Agora, se me der licença, eu tenho um trabalho a fazer.
― Não, não, não faz isso. Henrique!
Ele pegou o Brandon pelos braços e começou a arrastá-lo porta a fora. Antes que eu pudesse reagir, mais dois amiguinhos idiotas do Lucas entraram pelo quarto e me seguraram pelos braços.
― Me soltem, seus estúpidos! Animais! Covardes! ― berrei e me debati, dando chutes no ar. Eles acharam graça no meu esforço. Babacas.
― Rebecca, para. Somos dois contra uma, e não queremos machucar você ―um deles me alertou.
Os dois monstros praticamente me arrastaram pra fora. Quando saímos da casa, avistei o Rick colocando o Brandon, desacordado, no porta-malas de um carro.
Eu só sabia que o Lucas ia se arrepender profundamente disso.
Continua …